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09.DEZ.14 NOTÍCIAS

Hospitais públicos reforçam a formação de médicos no Pará

Reforçar o atendimento na atenção básica e estimular o aperfeiçoamento profissional, como forma de qualificar os serviços ofertados à população, tem sido alguns dos principais objetivos das principais unidades de saúde da rede estadual, que atualmente absorvem grande parte da demanda de especialidades médicas de média e alta complexidade na Região Metropolitana de Belém. “Não basta só fazer o dever de casa, atender o que chega até nós, é preciso ir além, não deixar que o paciente chegue ao quadro grave. Por isso, cada vez mais, precisamos ajudar a gerar conhecimento e contribuir para a formação de novos profissionais que contribuam com a atenção básica”, diz Lacy Brito, do Hospital de Clínicas.

Na unidade, Lacy é o chefe do setor de graduação e pós-graduação, vinculado à gerência de ensino e pesquisa. O departamento atua desde bolsas de iniciação científica, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapespa), até o apoio a profissionais que querem fazer mestrado e doutorado. “Como o hospital é referência em psiquiatria, nefrologia e cardiologia, nós recebemos muitos estudantes de várias instituições públicas e privadas que querem ingressar os estudos nessas áreas, tendo acesso à prática. Por ano, cerca de 900 estudantes passam por aqui para fazer pesquisas e estágios. E os remunerados só são possíveis com o apoio da gestão estadual, que entende a importância disso”, afirma Lacy.  

No campo da pós-graduação, o Hospital das Clínicas também absorve diversos profissionais para especializações. Os programas de residência médica e multiprofissional são o carro-chefe do hospital, e ambos contemplando as três áreas de referência. Na multiprofissional, 22 profissionais são absorvidos a cada ano. Na médica, são outros 24, sendo que, além da psiquiatria, nefrologia e cardiologia, outros cinco programas são ofertados: clínica média, medicina intensiva, urologia, cirurgia geral e urologia (2015). Além disso, o hospital sedia duas especializações através de uma parceria com a Universidade de São Paulo (USP), uma em neuropsicologia e outra e psicologia hospitalar.

A médica Paula Pina, de 28 anos, formada pela Universidade do Estado Pará (Uepa), já faz a segunda especialização no hospital, em nefrologia. “Conheci o HC durante a formação, no internato (dois últimos anos do curso), e gostei muito do serviço. Na época, também tinha pessoas próximas que já tinham feito residência aqui e que tinham ótimas referências. Apesar das dificuldades que a gente sabe que se tem em uma residência no Norte do país e no SUS (Sistema único de Saúde), no HC encontrei o respaldo necessário com a presença de preceptores e também de equipamentos e recursos que a gente precisa nesse processo. A minha primeira foi em clínica médica. Hoje, já estou no meu quarto ano consecutivo aqui, concluindo nefrologia”, diz.

Ophir Loyola

O primeiro contato ainda na universidade também foi o que fez a médica Luciana Cavalleiro, 30, optar por fazer a sua segunda residência, em urologia, no Hospital Ophir Loyola. A primeira, em cirurgia geral, foi feita no Rio de Janeiro. “Esse período em que a gente tem o contato é muito importante e ajudou nessa escolha. Além disso, acredito, aqui no Ophir Loyola a gente acaba tendo um acréscimo a mais, porque há uma diversidade de casos, e isso ajuda na nossa formação, principalmente nessa área cirúrgica. Aqui temos contato com patologias benignas e oncologias, e a demanda é grande. Quando você sai, você está realmente preparado e com a experiência para resolver”, opina.

No Hospital Jean Bittar, que absorve parte da demanda do Ophir Loyola, os médicos Bruno Ribeiro, 26, e Raissa Tommaso, 27, fazem a sua primeira especialidade, em cirurgia geral. Bruno, que já está no segundo ano, pretende fazer a segunda em endoscopia. Para ele, a experiência obtida no hospital pesou na escolha. “A estrutura é muito boa, com o diferencial de ser o único credenciado para fazer cirurgia bariátrica”, diz. Já Raissa, que é formada pela Universidade Federal do Pará (Ufpa), diz que surpreendeu positivamente com a residência. “Conhecia só de ouvir falar, mas aqui pude ver o que o hospital de fato faz. O volume de cirurgias é bom e o apoio com exames, radiologia e anestesiologia, faz o serviço andar”, avalia.

Além da cirurgia geral, o hospital também tem residentes de clínica médica. Ao todo, os dois programas abrigam cerca de 30 profissionais. No geral, o Ophir Loyola contempla mais de dez especialidades, abrangendo ainda as áreas de neurocirurgia, cancerologia clínica e cirúrgica, mastologia, nefrologia e diagnóstico por imagem. Em 2009, o hospital foi credenciado e um ano depois recebeu a certificação como Hospital de Ensino. Em 2013, já com o novo prédio do Jean Bittar (que foi entregue pelo Governo do Estado em 2011), o hospital foi recertificado. Este ano, o hospital ofertou 39 bolsas para residência.

Santa Casa

Entre as instituições de saúde voltadas para o ensino e pesquisa, a Santa Casa é a que absorve a maior demanda de estudantes, destinando em torno de R$ 1,6 milhão para investir nos serviços relacionados a atividades educacionais. Por dia, cerca de três mil circulam pelo hospital.  Na unidade, tida como uma das maiores maternidade do país, a referência é a especialização na atenção a saúde da mulher e da criança, voltada para a alta complexidade. Anualmente, em torno de 18 profissionais de diversas áreas da saúde, como enfermagem, serviço social, nutrição e fisioterapia, ingressam na especialização.

Segundo a diretora de ensino e pesquisa, Lizomar Moia, ao longo do tempo, a instituição de ensino tem sido uma referência para profissionais e instituições públicas e privadas de ensino superior do estado. Hoje em dia, a Santa Casa oferta 12 programas de residência, absorvendo cerca de 100 profissionais recém-formados. A médica Alinne Barros, 27, que concluiu o curso Ufpa, é um deles. Na unidade, ela faz o primeiro ano da residência em clínica médica. “Aqui temos uma riqueza enorme de material humano e as patologias são as mais diversas. Isso faz com que tenhamos contato com todas as sub-especialidades”, diz.   

Neste mês, a Santa Casa está formando sua primeira turma do mestrado multiprofissional em Gestão em Serviços de Saúde na Amazônia, coordenado por professores da Uepa e da Ufpa. Entre hospitais da rede pública, o curso é pioneiro na região Norte. A cada ano, sete vagas são ofertadas para os próprios servidores da fundação e outras sete para os demais profissionais de todo o estado. Nesta semana, foram iniciadas as defesa das dissertações dos alunos. Até o dia 10 de dezembro serão apresentadas dissertações. O curso teve duração de dois anos e foi ministrado em módulos e projetos acadêmicos.

Segundo a enfermeira Elizabeth Rassi, coordenadora do mestrado, o curso deixará grandes ganhos não só para Santa Casa, mas também para toda a rede pública de saúde. “Na verdade, esse é o grande diferencial do mestrado profissional, em relação ao acadêmico: ao final dos dois anos, o mestrando tem que deixar um produto para o serviço. E essa turma já nos trouxe avanços. Nessa semana, por exemplo, uma mestranda nos deixou pronto um guia de prevenção de controle de infecção em corrente sanguínea na neonatologia. Outros, da demanda externa, também identificaram problemáticas nos seus serviços e estão defendendo seus produtos. Para nós, isso tem um valor muito grande, além do ganho acadêmico”, afirma.

Serviço: A solenidade de formatura dos doze mestrandos da Santa Casa será realizada na quarta-feira, 10, às 17h30, no próprio espaço da fundação. Antes, às 16h, ocorre a missa de formatura.

Amanda Engelke
Secretaria de Estado de Comunicação

 

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